Ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha vai ficar na história como o político que comandou a operação para tornar possível o impeachment da presidente Dilma Rousseff, do PT, e, ao mesmo tempo, por, segundo o Ministério Público e a Justiça — que o condenou à prisão —, por operar uma grande esquema de corrupção envolvendo o governo federal e setores privados. De certo modo, privatizou a Câmara dos Deputados. Político duro, de matiz implacável, inspirava medo nos seus adversários — inclusive os de esquerda.
Compreender Eduardo Cunha é crucial para entender o momento histórico no qual atuou e até o momento atual (a crise política provocada por ele e pelo PT é, por assim dizer, “mãe” da ascensão do presidente Jair Bolsonaro). Por isso os jornalistas Aloy Jupiara e Chico Otavio decidiram estudá-lo e publicar o livro “Deus Tenha Misericórdia Dessa Nação — A Biografia Não Autorizada de Eduardo Cunha” (Record). Trata-se de uma investigação sobre o político que derrubou uma presidente da República e, sim, se derrubou — cometendo uma espécie de haraquiri.
Quando do lançamento do livro, Anselmo Góis, colunista de O GLOBO, lembrou, na edição do jornal, em leviano afirmar que ainda na creche o ex-deputado Eduardo Cunha, 61 anos, sumiu com as mamadeiras dos colegas. Mas nos anos 70, adolescente, fundou um clube de futebol para participar do Campeonato Carioca de Pelada, no Aterro do Flamengo, organizado pelo antigo “Jornal dos Sports”, com jovens até 15 anos. O clube que ele dirigia foi eliminado por W. O. por… “falsificar a idade da maioria dos jogadores”. A história faz parte do livro “Deus tenha misericórdia dessa Nação”, dos coleguinhas Chico Otávio e Aloy Jupiara. É uma biografia não autorizada do político detento.
FRIEZA
Conforme escreve Euler de França Belém, em outubro de 2019, no JORNAL OPÇÃO, Eduardo Cunha era uma de frieza que impressionava aliados e adversários. Fazia o mal como estivesse comendo pudim e fazia o bem como se estivesse comendo urtiga. Parecia um político sem emoções, com nervos de aço. O livro menciona: Eduardo Cunha “chorou discretamente, com voz embargada, no discurso de renúncia à presidência da Câmara, em fevereiro de 2006. Os demais episódios, como o afastamento do cargo por decisão do STF e, antes, a sessão de aceitação da denúncia contra Dilma, foram protagonizados pela cara de gelo do deputado”.
Os jornalistas descobriram, ao investigar a vida de Eduardo Cunha, que políticos e empresários tinham medo do ex-deputado. Medo que, claro, diminuiu (mas talvez não tenha acabado) com sua prisão. Hoje, denunciado pela Operação Lava Jato, está preso em Bangu 8. Mesmo assim, assinala Aloy Jupiara, “escrever foi montar um quebra-cabeças”.
RIQUEZA E RELIGIOSIDADE
A história contava no livro chama atenção quando trata da conversão do poderoso Eduardo Cunha ao cristianismo neopentecostal, com a montagem de uma rede de empresas chamada Jesus.Com, que gerenciava desde sites evangélicos até uma frota de oito veículos de luxo pertencentes ao deputado (incluindo dois Porsche Cayenne). E culminam com participação suspeita em compras de áreas para exploração de petróleo na África.
Milionário, Cunha amarga hoje o calabouço e escreve livros sobre o período. Foi vizinho de cela do ex-correligionário do MDB e atual inimigo político Sérgio Cabral, o ex-governador do Rio condenado a 267 anos de prisão.
VIDA NORMAL
Agora, Eduardo Cunha está de volta. Daí seria interessante retomarmos as obras escritas sobre corruptos brasileiros. conforme declarou ao SITE 360 GRAUS: “É a hora da “velha” política….”
É que o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB) está de volta à política. Não à política eleitoral, para a qual retornará depois de 2022. Mas para os bastidores, de onde articula a eleição da sua filha Danielle para a Câmara. Conhecido pela sua capacidade de analisar o cenário político com precisão, Cunha, que está com 62 anos, faz uma previsão para as eleições de 2022: a onda da novidade acabou.


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