TEMPOS DE CRESCIMENTO DA DISSONÂNCIA COGNITIVA
Se você quiser confirmar não precisa ler sobre ele ainda (seus livros são, de fato, muito complexos). Mas veja na wikipédia, é que a Teoria de Festinger da DISSONÂNCIA COGNITIVA dá conta das conseqüências psicológicas de expectativas não-confirmadas.
Vivemos tempos em que se vê muitos acreditando na própria criação de sua mesma ignorância. E quando um fato se revela falso, desenvolve-se toda uma articulação para que sua ideia sobre o fato continue aceita como verdadeira.
Sabe aquela imagem do passarinho, no vidro do carro? Ele bica, bica, vejo na sua imagem um outro que ele acha que desconhece e quer competir com ele. A dissonância cognitiva age assim, como um martelo que insiste em bater no alvo errado, ou um prego muito mal alinhado. O ator vê o prego mas não vê que está posicionado no lugar errado.
Um dos primeiros casos publicados sobre a dissonância cognitiva é descrito no livro When Prophecy Fails (Festinger et al. 1956). Festinger e seus colegas leram uma nota num jornal local intitulada “Prophecy from planet clarion call to city: flee that flood“, onde um grupo de pessoas dizia que uma tempestade de proporções catastróficas destruiria o Planeta Terra. Isso ocorreria em 1957. Só que todos esperaram e não ocorreu, ainda.
Quando a profecia revelou-se falsa, o grupo não abandonou suas crenças e, em vez disso, buscou explicações para a sua não-realização, apegando-se mais ainda às suas ideias. O argumento foi que rezaram tanto que a tempestade se dissipou. O negacionismo que vemos grassar no Brasil atualmente, e o apego a certas ideias concretas, defendidas com inteira e raivosa convicção, talvez seja um tema fértil para estudo de aplicação da teoria. Vale a reflexão.
Podemos entender a Teoria da Dissonância Cognitiva, num exemplo prático, por exemplo, quando alguém verifica uma incoerência em suas opiniões ou entre seu modo de pensar e seu comportamento efetivo, ela tem a tendência de se sentir incomodada até sentir profundo mal estar interior. Só que esse mal estar muitas funciona de modo inconsciente. A pessoa procura, então, reduzi-la ou eliminá-la de todos os modos, evitando situações, pessoas e informações que podem aumentá-la. Ocorre, muitas vezes, que, também de modo inconsciente, a pessoa põe em prática, segundo a Teoria da dissonância, três mecanismos de defesa, buscando deixar a salvo e intactos suas opiniões, atitudes em relação aos apontamentos discordantes e questionadores, que lhe fazem se envolver em um processo crítico interno. O primeiro mecanismo seria a exposição selectiva. Festinger sugere que os indivíduos evitam informação que possa aumentar a dissonância. A tendência é indivíduos se associarem com pessoas com quem partilham opiniões ou também selecionarem material informativo com o qual existe alguma afinidade. Por exemplo, se um eleitor de Bolsonaro, associado a ideias de extrema direita, como a sentir que sua opinião e opção, pela qual tanto lutou ou discutiu não foi a melhor ou mais acertada, ele tende a selecionar material e ouvir pessoas que comungam de suas ideais anteriores. O segundo mecanismo seria a chamada pós-decisão. Ou seja, decisões importantes geram tensão no indivíduo, tornando a escolha entre as opções difícil e agoniante. Assim, nasce uma nova disposição, a cada nova dia, de inquietação que busca motivação para buscar informações e motivações que possam dar apoio àquela opinião ou decisão inicial. O terceiro mecanismo seria a justificação mínima. Aqui a sequência tradicional de atitude e comportamento como causa-efeito é revertida, sugerindo que um comportamento pode anteceder e modificar as atitudes tomadas. Ou seja, o efeito produz novas causas. A pessoa que tem uma opinião de esquerda acaba produzindo argumentos que dê mais base ao efeito de suas práticas e ideias.

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